outubro 23, 2003

Smile 26

Está na altura de as pessoas perceberem uma coisa.
Os estrangeiros não nos percebem! É por causa da língua ser diferente. Não é porque falamos baixinho.
Nós até podíamos falar com um megafone, que eles continuavam na mesma. Falar alto não traduz automaticamente os idiomas. Muito menos falar português com sotaque estrangeiro.
Quando um estrangeiro nos pergunta, em pleno Terreiro do Paço, onde é o Marquês de Pombal, não adianta ficarmos a olhar para os lados, a dar voltas com o corpo e a dizermos: “Ãhm…hummm…er…”. E não adianta porquê? Porque ele não percebe. Mesmo quando dizemos que é só subir essa rua aí à direita, virar à esquerda ao fim, e depois contornar o jardim e ir até ao cimo da avenida a seguir, e ele diz: “Sorry, I don’t understand portuguese…”, não vale a pena dizer: “É SÓ SUBIR ESSA RUA AÍ À DIREITA, VIRAR À ESQUERDA AO FIM, E DEPOIS CONTORNAR O JARDIM E IR ATÉ AO CIMO DA AVENIDA A SEGUIR!” a gritar. E muito menos: “Éi sóu soubir esse rue ai dáiraite, váirar ésquérd ao fáim, e dépoich côntournár ô djárdin e áire âité au çáimo dei âvéinide a séguire.”. Bem, eu acho que isto não há ninguém que perceba, quanto mais um estrangeiro.
As pessoas deviam seguir o exemplo dos algarvios no verão. Chega um turista e eles nem lhe dão tempo de falar. Atacam logo com o clássico: “Rooms, chambres, zimmers!”, e ficam nisto atrás do turista até levarem um murro nos cornos ou até o desgraçado se conseguir esconder dentro de um café. Ao menos nos cafés estão a salvo, porque existe à porta um autocolante redondo de fundo branco e rebordo vermelho, com a silhueta de uma velhota a segurar uma placa, com um traço também vermelho por cima.
E mesmo quando é um turista que, já depois de instalado numa qualquer pensão de segunda categoria, vai perguntar onde é o Zoomarine, a resposta é sempre a mesma, e no mesmo tom: “One hundred euros, one hundred euros!”, e se ele insiste com a pergunta e não se balda ao guito, leva um valente “Vai prá cona da tua mãe, ó cámóne!” e acaba-se ali a conversa. O turista vai a uma agência, paga 1300 euros para ir num autocarro de 1978 cheio de outros como ele, entra no Zoomarine sem pagar, desde que tenha aderido ao pacote de 1700 euros, e lá vai para a terra dele todo contente dizer que em Portugal há golfinhos com fartura e habilidosos como o caraças.
Portanto, turistas de todo o mundo, uni-vos e comprai dicionários de Inglês-Português, e poupai uma carga de trabalhos e dinheiro.

Publicado por Pikes em outubro 23, 2003 03:43 PM
Comentários

6, de 1 a 10.

Afixado por: Senhor Doutor em outubro 25, 2003 12:23 PM